quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Consequências cósmicas

Embora os experimentos com laser estejam dando boas notícias para a equipe, Davies, Aharonov, Tollaksen e seu colega Menas Kefatos, da Universidade Chapman, na Califórnia, estão agora à procura de consequências cósmicas observáveis de informações do futuro influenciando o passado.
Um bom lugar para procurar é a radiação cósmica de fundo (CMB), o "brilho" remanescente do Big Bang. A CMB tem ondulações fracas de calor e frio e, trinta anos atrás, Davies desenvolveu um modelo com seu então aluno Tim Bunch que descreve essas ondas no nível quântico.
Davies e Tollaksen estão agora revisando este modelo no novo arcabouço quântico.
Físicos têm ideias já bem desenvolvidas sobre como era o estado inicial do universo e como pode acabar sendo seu estado final - muito provavelmente um vácuo, o resultado inevitável da contínua expansão.
A equipe está colocando estas ideias junto com seu novo modelo para ver se ele consegue prever assinaturas características da influência do futuro na CMB que possam ser captadas pelo telescópio espacial Planck.
"A cosmologia é um caso ideal para esta abordagem," afirma Bill Unruh, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. "Desde que Aharonov encontrou esses resultados tão estranhos em algumas situações, vale a pena olhar para a cosmologia."
Davies ainda não sabe se essas ideias vão produzir resultados. Mas se o fizerem, seria revolucionário.
"A coisa mais notável sobre Paul," avalia Michael Berry, da Universidade de Bristol, "é que ele tem ideias muito selvagens combinadas com extremo cuidado e sobriedade."
Este pode ser exatamente o caráter necessário para fazer um grande avanço. Pode até ser o destino de Davies, uma mescla de seu futuro e de seu passado.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Empresas russas vão lançar Estação Espacial Comercial

Espaço privado
As empresas russas Orbital Technologies e RSC Energia (Rocket and Space Corporation Energia) anunciaram planos para lançar ao espaço a primeira nave para receber clientes privados, uma espécie de "hotel espacial".
Batizada de Estação Espacial Comercial (EES), para equiparar-se à Estação Espacial Internacional(EEI), a nave deverá acomodar tanto turistas quanto equipes de pesquisadores de empresas interessadas em fazer pesquisas científicas e tecnológicas.
Outros objetivos incluem servir como refúgio para os astronautas da EEI, em caso de acidente, e como ponto de parada para viagens espaciais mais distantes.
Até hoje, cerca de 500 pessoas foram mandadas ao espaço, praticamente todos membros de agências espaciais nacionais. As únicas exceções foram alguns poucos milionários.
Esses turistas espaciais pioneiros chegaram a pagar centenas de milhões de dólares por uma passagem. A estimativa é que a estadia na Estação Espacial Comercial custe por volta de R$260 mil para um pacote de cinco dias.
Há poucos dias, a Boeing anunciou a intenção de enviar seus astronautas-funcionários ao espaço, mas isso dependerá de financiamento da NASA, e eles ficarão "hospedados" na EEI.

sistensolar.blogspot.com

Rumo a uma câmera capaz de filmar elétrons

Lasers que emitem pulsos ultra-curtos, cada um com uma duração de um quintilionésimo de segundo, são capazes de monitorar o comportamento de elétrons individuais durante as reações químicas.

E uma equipe internacional de pesquisadores agora deu um passo concreto rumo à possibilidade de filmar elétrons individuais, o que permitirá acompanhar com detalhes sem precedentes como as moléculas interagem durante as reações químicas.

Quando o tempo fica curto

Tudo começa com um laser capaz de emitir pulsos na escala de attossegundo - 1 bilionésimo de 1 bilionésimo de segundo. Esta é a escala do recorde mundial do menor tempo já medido.

Embora 1 attossegundo esteja para 1 segundo assim como 1 segundo está para a idade do Universo, é nessa escala que as coisas acontecem no mundo molecular. Por exemplo, o elétron de um átomo de hidrogênio leva 151 attossegundos para orbitar seu núcleo.

Pulsos de attossegundos já foram demonstrados em laboratório antes, mas sem a potência necessária para serem usados em espectroscopia com resolução temporal, a técnica usada para medir a dinâmica de elétrons.

"Se você puder gerar um pulso de duração mais curta, então você poderá estudar a dinâmica do que acontece nessa escala de tempo," afirmou Franz Kaertner, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

NASA anuncia descoberta de grafeno no espaço


Bioquímica do carbono
O Telescópio espacial Spitzerencontrou assinaturas químicas de grafeno no espaço, folhas de carbono com apenas um átomo de espessura, parecidas com uma tela de galinheiro.
A descoberta do grafeno, realizada em 2004, levou o Prêmio Nobel de Física de 2010.
Já a descoberta do grafeno no espaço ainda precisará ser confirmada por observações mais detalhadas.
O grafeno é extremamente forte, conduz eletricidade tão bem quanto os metais e já está sendo utilizado experimentalmente em computadores, telas e monitores e painéis solares, além de uma infinidade de outras aplicações possíveis.
Já o grafeno espacial é mais importante pelas informações que ele pode dar aos cientistas sobre a origem da vida, na Terra e pelo espaço afora. Entender as reações químicas envolvendo o carbono no espaço pode dar novas informações sobre como pode ter surgido e evoluído nossa bioquímica baseada nesse elemento.
Grafeno no espaço
O grafeno foi identificado em duas pequenas galáxias vizinhas à nossa - as Nuvens de Magalhães - associado a um material expelido por estrelas no final da vida, que forma a chamada nebulosa planetária.
O telescópio Spitzer, que observa o Universo e Cosmologia em infravermelho, também encontrou sinais de outra molécula de carbono, chamada C70.
A C70, que tem um formato alongado, assim como o grafeno, pertencem à família dos fulerenos, também conhecidas pelo termo inglês buckyballs - esta é a maior molécula já identificada no espaço.
A mais famosa das moléculas dessa família é a C60, em formato esférico, que deu nome à família, uma homenagem aos domos arquitetônicos feitos por Buckminister Fuller.
Vida em uma esfera de carbono
Recentemente foram encontrados fulerenos incorporados em meteoritos, contendo gases extraterrestres em seu interior.
Como cientistas já conseguiram encapsular água nessas moléculas, em laboratório, surge agora a hipótese de que os fulerenos podem ter sido os carregadores de materiais importantes para o surgimento da vida na Terra, que teria chegado até aqui pelos meteoritos.
Segundo os astrônomos, o grafeno e os fulerenos formam-se no espaço quando as ondas de choque geradas pelas estrelas que morrem quebram grânulos de carbono.

Encontrada falha na criptografia usada no "internet banking"


Pesquisadores belgas e franceses descobriram as primeiras falhas no algoritmo AES, usado mundialmente para transações bancárias pela internet.
Algoritmo AES
O algoritmo AES (Advanced Encryption Standard) não era considerado à prova de falhas, mas o grupo conseguiu descobrir uma chave secreta de forma quatro vezes mais fácil do que os cálculos teóricos indicavam ser possível.
O algoritmo, projetado em 1997 pelos criptografistas belgas Joan Daemen, da STMicroelectronics, e Vincent Rijmen, da Universidade Católica de Leuven, foi selecionado em uma competição internacional promovida pelo Instituto Nacional de Padronização e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST).
Desde então, o NIST validou mais de 1.700 produtos comerciais usando o AES, e milhares de outros usam o algoritmo sem validação. O AES também foi padronizado pela ISO, pelo IEEE e pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
Graças a isso, centenas de milhões de pessoas usam o algoritmo AES todos os dias para proteger suas transações bancárias, comunicações wireless e os dados guardados nos discos rígidos dos seus computadores.
Falha na criptografia AES
Até agora, apenas uma pequena falha havia sido identificada no algoritmo AES, mas de interesse meramente matemático, sem efeitos práticos.
Já o novo ataque agora descoberto, que usa uma técnica chamada biclique, aplica-se a todas as versões do AES, incluindo as usadas com uma única chave. O ataque mostra que descobrir uma chave do AES é quatro vezes mais fácil do que se acreditava.
Em outras palavras, o AES-128 é, na prática, um AES-126.
Mas as razões para preocupações são mínimas. Isto porque o esforço necessário para quebrar uma criptografia com o AES ainda é gigantesco: o número de cálculos necessários para isso é um 8 seguido por 37 zeros.
Por isso, Andrey Bogdanov e Dmitry Khovratovich, da mesma Universidade Católica de Leuven, e Christian Rechberger, da École Normale Supérieure de Paris, acreditam que sua descoberta do ataque não deverá alterar o uso disseminado do algoritmo.
Para quem discordar, eles mostram o problema de uma perspectiva mais prática: em um ataque de força bruta, com um trilhão de computadores, cada um testando um bilhão de chaves por segundo, levaria dois bilhões de anos para recuperar uma chave criptografada pelo AES-128.
Com a descoberta, você faria o mesmo em "meros" 500 milhões de anos.